A infância corrompida

Atualizado em: 05/04/2013 - 00:00

A história dos dois meninos vítimas do tráfico de drogas é comovente. Os garotinhos de dez e 12 anos – crianças, ainda –, aliciados pelo tio, são o retrato de muitas famílias que sobrevivem da venda de entorpecentes. As crianças, tão pequenas, pela sua imaturidade talvez nem saibam realmente o que estão fazendo quando entregam as pedras de crack ou buchas de maconha aos usuários, por ordem do tio. Em troca, recebiam roupas já usadas e quase imprestáveis.
O caso, atendido em Ponta Grossa na noite de quarta-feira, comoveu até quem está acostumado com a tristeza que é a vida em torno do narcotráfico e que, a cada dia, se depara com novos personagens do drama do vício. Os guardas municipais que pegaram os dois meninos vendendo drogas no Jardim Sabará autorizaram ambos até a comer um chocolate na delegacia.
É uma situação bastante complexa em que as crianças, embora estivessem cometendo algo ilícito, precisam ser consideradas inocentes. Não é num Centro de Socioeducação que elas vão ‘reaprender’ viver.
São dois meninos carentes de tudo, inclusive do amor do pai e da mãe que, segundo informações, estão presos há um ano e meio. Depois de serem detidos, os meninos ficaram sob cuidado do Conselho Tutelar. Da delegacia, eles já foram deixados com outro alguém da família. No entanto, vão precisar de acompanhamento constante do Conselho Tutelar.
Portanto, para evitar que outros casos cheguem a uma situação tão delicada quanto essa, é preciso uma ação anterior, daí a importância do trabalho da assistência social nos núcleos familiares permeados pela droga.
fonte: http://www.diariodoscampos.com.br/


Educação falha leva ao crime

Juíza diz que muitos jovens só têm acesso a direitos, como saúde, após cometer delitos



Reflexo: Boa parte dos jovens infratores não teve acesso a oportunidades, diz professor da UFMG.
Ao mesmo tempo em que o Estado deve garantir a aplicação de medidas socioeducativas e sanções a jovens autores de atos infracionais, é preciso combater a origem da criminalidade entre menores de diferentes classes sociais, sem se restringir ao campo penal. Esse pensamento é quase um consenso entre os que são contra a redução da maioridade penal.

Um exemplo é o professor de Processo Penal da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Leonardo Marques. “A premissa elementar é: por que esse jovem (infrator) não chegou ao mesmo estágio de civilização que outros?”, questiona. A falha, segundo ele, está na educação e na falta de oportunidades. “Não quero dizer que todo pobre vai virar bandido, mas há uma vulnerabilidade evidente nas classes mais baixas que levam à entrada no crime”, completa.

Para ele, a educação precisa se tornar um valor prioritário, com reformulações em qualidade e na pedagogia. “Além de resolver o salário de miséria dos professores, o principal é fazer com que uma criança pobre chegue aos 18 anos com plenas possibilidades de futuro"

Exemplos. Esse processo, a que Marques dá o nome de “inserção cidadã”, transcende a escola e foi usado em Bogotá (Colômbia), onde havia, antes de 1993, índices de criminalidade muito maiores que os do Rio de Janeiro. “Ligaram as periferias à cidade, deram prioridade à educação e trouxeram o povo para a convivência social. Os índices caíram drasticamente.”

Outro exemplo dado pelo professor é a Coreia do Sul, país que, assim como o Brasil, iniciou sua industrialização na década de 50. “Hoje, diferente da gente, a capital Seul conta com sete universidades do peso da UFMG, com três ganhadores de prêmios Nobel dando aula. A desigualdade social é muito menor que a nossa”.

A juíza da Vara de Atos Infracionais da capital, Valéria Rodrigues, também atribui a alta criminalidade entre menores à falta de políticas públicas de prevenção. “Muitos jovens da capital só estão tendo acesso a direitos como educação, saúde e apoio psicológico depois que praticam algum crime, pois exigimos os encaminhamentos”, afirma.

Fonte: http://www.otempo.com.br/